Entre estrelas e sonhos

Um dia, há uns 15 anos atrás, me vi assistindo um seriado de tv que, logo de cara, me chamou a atenção: um cara esquisito com orelha pontuda igual a um duende, um típico americano loiro, um russo, um chinês e uma mulher negra. Pela minha pouca idade, na hora não me liguei na importância social e política que esses personagens significavam, apenas assisti a série nesse primeiro dia, no outro e no outro, até que me vi fã de uma franquia produzida pelos estúdios da Paramount, há mais de 40 anos, e que, de sua forma original, gerou mais quatro séries e 11 filmes. Essa série contava a história de um grupo de desbravadores do espaço, (em sua missão de cinco anos, para pesquisar novas civilizações, interagir com novas formas de vida, indo onde nenhum homem jamais esteve). Esse era seu "slogan". "Star Trek, Jornada nas Estrelas", esse era seu nome.
Meu grande interesse pelas histórias foi espontâneo, até que em algum momento, bem depois de me tornar fã-fanático, percebi a real intenção daquela mescla de pessoas tão diferentes entre si, numa mesma nave: era um jogo político que, para aquela época, d
esafiava mitos, quebrava barreiras. Mas porque?
Gene Roddenberry, americano do Texas, foi o criador de toda a trama e de todos os personagens, isso na década de 60. Nesse período, em meio a guerra fria e com o racismo à solta nos Estados Unidos, o cara decide apresentar à produtora um esboço de uma série de tv que se passava no mundo ilusório e utópico das estrelas, até ai tudo bem, mas, além de estrelas, a série era composta por negros e russos, em total confronto com os paradigmas da época.
Por incrível que pareça, a série foi aprovada e a sociedade americana da época, com seu pavor russo, e com seu ultra racismo negro, não só assistiu em peso, como exportou para todos os cantos da terra aquela que, décadas depois, se transformou em adjetivo para milhões de lunáticos como eu, batizando-os de "Trekers".
Esse valor político faz de uma série que se passa no campo da imaginação, algo extremamente real e inquietantemente (para aqueles qua a curtem), mágico.
Após sua quase falência, 2009 marca uma nova etapa para a franquia de filmes e séries: a chegada de Star Trek 11 que, modernizado por JJ Abrans, diretor de Lost, para atender os novos públicos, não deixou de lado a essência de toda sua saga e faturou mais de 200 milhões de dólares. Para um vovozinho, em meio a modernidade de séries e de filmes tão ousados, e que havia sido dado como morto, esse valor significa CONTINUIDADE.
O futuro previsto por Star Trek é o mais plausível que posso imaginar, com a conquista total do espaço, a união de todos os povos do mundo sobre um mesmo governo, o fim dos conceitos humanos de raças e religião e, principalmente, o fim daquilo que hoje conhecemos como DINHEIRO. Alguns podem interpretar esse futuro como o fim dos tempos, ou simplesmente impossível, mas, para os Trekers, ele é um sonho iniciado por Rodenbberry há mais de 40 anos, e que será transformado em realidade queiram os incrédulos ou não, hehehehehe.
Nos resta viver, tentando trazer para nossa vida cotidiana um pouco da experiência de respeito mútuo e de cooperação pregados, ainda que subliminarmente, pelas histórias fantásticas de Roddenberry, esperando que esse tempo torne-se real, ainda que não estejamos mais aqui para vivenciá-lo.
Nas palavras de Spock, o da orelha pontuda com cara de duende que falei no começo: "VIDA LONGA E PRÓSPERA".
Thiago 007






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