A cruz do politicamente correto

Quanto mais a tecnologia evolui, a ciência evolui, a comunicação evolui, a sociedade também evolui, e evolui muito. Tudo o que não se conseguiu em séculos de tempos sombrios, principalmente durante a idade média, se consegue hoje em meses.
O homem desenvolveu seu cérebro e seu cérebro desenvolveu o mundo, e assim vai continuar, por todos os tempos. O espírito humano, infelizmente, não acompanhou tamanho desenvolvimento tecnológico e científico, penso que isso se deve à velocidade das etapas de evolução, é muito mais fácil criar um software do que um cidadão, e isso é natural. Por isso mesmo, o espírito vai continuar evoluindo aos poucos, até o fim dos tempos, (se é que esse fim existirá).
O que quero dizer é que o homem tem muitos desafios pela frente, tem que evoluir suas tecnologias, como forma de proporcionar melhor condição de vida e, tem ainda que evoluir seu espírito, pois sem espírito não se cria nada. Quando digo espírito, penso naqueles realmente essenciais à vida, como o espírito de cooperação, o de respeito mútuo, o de solidariedade, o de empreendedorismo, e não o espírito religioso.
Esses desafios são vencidos aos poucos, todos os dias, desde o princípio do mundo, e isso é fantástico porque num mundo tão violento, com espíritos tão atrasados, que dedicam suas vidas à guerras e revanches que não levam a lugar algum, ainda assim, o homem cresce e faz o mundo crescer.
Empregar o tempo crescendo é a melhor maneira de viver, a mais próxima daquela que deus planejou quando nos criou. Por isso mesmo fico pensando no tempo que se perde com tantas porcarias, com esforços empregados por loucos para a criação de artefatos nucleares, com tanta coisa ainda a ser explorada, tanta coisa ainda a ser descoberta. Bomba atômica é coisa do passado, não cabe mais no mundo que virá.
No meio de tudo isso, como forma de perder um pouco mais de tempo, surge o “Politicamente Correto”, que toma tempos intermináveis de estudiosos, pensadores e demais “cabeças” em programas de TV, em artigos de revistas que, no lugar de contribuírem com o pensamento humano voltado à evolução e ao futuro, minam seu precioso tempo com um discurso sem sentido, que procura punir a tudo e a todos, proclamando que tudo está errado se não for encaixado na ditadura do politicamente correto, que ninguém sabe quem criou, nem onde, nem quando.
Esse é um problema do mundo mas, no Brasil, nação cínica como poucas, ele é bem maior. Já li que jornalistas, autores de novelas, escritores, enfim, pessoas públicas de todos os tipos, já foram e são criticadas e até punidas por chamarem um índio de “uma pessoa mais lenta que um branco”, ou por chamarem um gordinho de “gordinho”.
É terrível, mas muita gente interpreta isso como racismo ou preconceito, enquanto o fato de não termos nenhum governador negro em nosso país não desperta a menor discussão. Ou seja, o politicamente correto é o aprimoramento da chatice e da implicância, da perseguição a quem fala qualquer coisa espontânea, é o fim da liberdade de expressão em ambientes públicos. Isso porque, vários politicamente corretos que conheço são aqueles que crucificam os demais em praça pública porque chamaram um gordinho de “gordinho” e, quando chegam em casa, ou quando estão entre seus familiares, não hesitam, jamais, em chamar um negro de “neguinho”, por exemplo. As pessoas mais chatas e cínicas são as mais politicamente corretas. Podem continuar sendo, se isso as faz bem, mas não podem contaminar a mídia nem as mentes de todos com esse discurso tão cínico.
Poucos famosos têm coragem de contestar essa babaquice em público, prova da força que ela tem, mas, alguns conseguem. Dentre eles, li uma entrevista bastante sincera e que, com certeza, vai servir de cruz para pregarem o coitado:
“ Eu acho que ser politicamente correto é ser hipócrita. As coisas têm nome, e o nome das coisas é aquele que sempre foi. Você não pode dizer que um anão é um cidadão verticalmente prejudicado. Não: um anão é um anão, entendeu?”
Aguinaldo Silva, autor de novelas da Globo, em entrevista a veja.com.
Muita gente foi presa, torturada e morreu na busca por liberdade de expressão. Por isso mesmo ninguém tem o direito de prender, torturar e matar essa liberdade. Eu sou narigudo, não sou um “cidadão possuidor de grande espectro nasal”. É assim que é, é assim que deve ser.






As pessoas mais chatas e cínicas são as mais politicamente corretas
Com certeza!
Ai Thiago! Esse tema é a tecla que eu sempre bato, você que me conhece e sabe todas as bobeiras que eu falo e discuto, sabe como esse discursinho me enoja ao extremo, eu tenho horror à hipocrisia, mais ainda dos lobinhos vestido de ovelhas...
ahuahuahu
Você é narigudo e ponto final...
E eu sou preto, meu caro!
Politicamente correto ou, como diria o grande José Simão, tucanês...hehehe.
Ok, provocações politicóides à parte, eu afirmo com toda a certeza que as pessoas mais preocupadas em não chamar preto de preto, gordo de gordo, viado de viado e aidético de aidético e baiano de baiano são aquelas que mais segregam a sociedade. Este cuidade todo serve muito mais para dissimular o preconceito e o asco contra certos grupos.
E tem mais, muitas vezes essas minorias são mais preconceituosas contra si que todo o resto da sociedade, portanto, na minha humilde opinião, é preciso prestar menos atenção às alcunhas e dar mais importância a quem morre nos hospitais públicos, quem morre nas escolas públicas e cuidar para que o país não morra ignorante, hipócrita e elitista.
[ pauleeeira.blogspot.com ]
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