domingo, 9 de agosto de 2009

Processo Lento



PROCESSO LENTO

Às vezes a gente não tem nem palavras pra dizer o que sente
Só sei que tem tanta coisa aqui no meu peito!
É assim como uma dor persistente
A falta de um feito jamais feito

É como querer o nunca realizado
Desejar como se já tivesse acontecido
Lamentar como se já tivesse errado
É como querer ser o que talvez eu tivesse sido

Pareço correr tanto
atrás de algum canto
aonde eu possa me esconder
e me entregar ao pranto

Cadê aquele sol atrás da montanha?
E a brisa que por aqui soprava?
Agora a dor é tamanha
que superou aquela que antes me matava

Será que alivia escrevendo versos
ou sou apenas mais um tolo?
Na surrealidade agora imerso
Jogado num espiral, sacudido num rolo...

Pode ser tudo um tanto infantil
mas não dá pra ignorar
Seriam 10, 50, 100 vezes ou 1.000
todas as vezes que tive de admitir e chorar

Parece que estou sempre repetindo
palavras confusas de valor questionável
Toda vez eu chego a mim mentindo
que essas coisas difusas podiam ser algo palpável

Mas todos esses sentimentos
não são de modo algum algo tangível
Por que então alimento
um sentimento tão insensível?

Talvez fosse a hora de seguir em frente
deixar o “viver do desarrazoado”
Ter paz no coração, alma e mente
e toda a escuridão colocar de lado

Mas no desespero
de ter tudo por inteiro
acabo com o nada
e a cada coisa dada
não alcanço uma metade
nunca me canso de verdade
de ter o pouco
aquilo que é oco
sem a chama do mortal
então deito na cama, me vem o mal
toda a solidão, a repressão...

À deriva não posso continuar, mas sim na busca do renascimento o qual tanto tento, mas sei que esse processo, de todos é o mais lento...

08/08/09 Manoel Fernandes de Aguiar Filho


(by Manolo)

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